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A Bruxaria Hoje

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Bruxaria é uma palavra poderosa.

Ao longo dos séculos, essa palavra tem provocado uma grande variedade de reações em nossas mentes. Para alguns, é fonte de medo e de assombro, enquanto que para outros, é sedutora e encantadora. E por mais que possa nos despertar a tantas imagens e ideias diferentes, e até mesmo opostas, é praticamente impossível ouvi-la sem que um calafrio percorra nosso corpo. A palavra Bruxaria parece despertar algo adormecido dentro de nós, e nos convoca a uma jornada de descobertas em direção ao nosso poder pessoal.
Muitas pessoas sentem que não se tornam Bruxas, mas, sim, que se descobrem Bruxas – pois os ideais e os valores da Bruxaria já estavam plantados em seu interior antes mesmo de saberem sobre ela. Dizemos, portanto, que a Bruxaria não é um caminho de convertidos, não nos doutrinamos, não memorizamos regras e comportamentos de conduta, simplesmente encontramos um nome para aquilo que já fazia parte de nossa natureza.
A Bruxaria Moderna é uma religião, também conhecida como Wicca e chamada carinhosamente por seus adeptos de “a Arte”, que se estabeleceu oficialmente na década de 1950, devido ao trabalho de Gerald Brosseau Gardner, um inglês que saiu das brumas do esquecimento e afirmou que Bruxos existiam, e que eles não eram maus, que eram, na verdade, continuadores dos antigos cultos de fertilidade, adoradores do Sol e da Lua e que celebravam a mudança das estações do ano e se reuniam para fazer magia em grupos chamados de Covens.

Até aquele momento, a visão popular que havia sobre Bruxaria era negativa e associada à Inquisição: eram pessoas (principalmente mulheres) que haviam feito um pacto com o diabo em troca de poderes especiais e que prestavam a ele favores, profanando símbolos sagrados do cristianismo e espalhando o mal pelos vilarejos – arruinando plantações, matando bebês e tornando as mulheres inférteis. A Bruxaria Moderna é justamente uma inversão de tudo isso: ela é um culto de fertilidade que não visa à morte, mas que celebra a alegria da vida. Bruxos encaram toda forma de vida como sagrada, pois, para eles, os Velhos Deuses estão vivos na natureza e “todas as coisas estão repletas de Deuses”.
Temos a tendência a olharmos para os povos antigos como selvagens e menos evoluídos, verdadeiros ignorantes sobre o conhecimento de como o universo realmente opera. As mitologias pré-cristãs, que são narrativas sagradas para os povos ancestrais e fontes de inspiração e de conexão com o Sagrado, foram reduzidas pelos pensadores modernos a meras tentativas infantis de explicar os fenômenos da natureza que não podiam ser compreendidos por esses povos.
Entretanto, enquanto o conhecimento científico se expande e a tecnologia chega a pontos que antes eram impossíveis de serem maginados, olhamos ao nosso redor e percebemos que algo está claramente errado.
O ar que respiramos era visto, antigamente, como a poderosa força de ligação entre o Céu e a Terra, mas hoje está poluído e cheio de toxinas. As águas dos rios e dos mares, antes habitadas por espíritos naturais e dotadas de poderes curadores capazes de restabelecer a vida, estão completamente envenenadas e se tornaram fontes de doenças. A Terra, nossa morada sagrada e guardiã dos ossos de nossos ancestrais, é explorada e destruída a cada segundo. Os animais sofrem, as florestas queimam e as geleiras derretem. A natureza chora, enquanto a humanidade permanece incapaz de ouvir o seu lamento.
Não apenas a Terra, mas também a humanidade se encontra devastada. As chamadas doenças modernas, como a ansiedade, a síndrome do pânico e a depressão nos mostram que há algo muito errado na maneira em que estamos vivendo e construindo nossas relações. Em uma sociedade que preza pela individualidade, posse de bens materiais, competitividade e produtividade, cada vez mais pessoas forçam corpos e mentes além de seus limites em busca de uma felicidade que parecem nunca encontrar.

Além disso, o ritmo acelerado em que vivemos não nos permite ter tempo para percebermos o que há de errado e, então, buscarmos por mudanças. E quais são as origens de tudo isso?
Para essa pergunta, os Bruxos oferecem respostas claras e simples: quando deixamos de nos perceber como parte integrante da natureza, fomos tomados por um profundo sentimento de isolamento e de solidão. Quando nos esquecemos da sacralidade da Terra e passamos a tratá-la como um bem de consumo pronto para ser explorado e destruído, também passamos a estabelecer relações humanas de controle, de poder e de dominação. O antigo espírito tribal de comunidade foi substituído pela noção de competitividade e, por isso, estamos sempre amedrontados. Quando os símbolos sagrados do Feminino foram eliminados e apagados da consciência de nossas sociedades, banimos a Grande Mãe para as sombras e, com Ela, uma parte de nossa alma também se foi. Vivemos fragmentados, e o resultado disso é um mundo doente, uma sociedade doente, um planeta doente.
Seria possível impedir que todas essas catástrofes cheguem a um ponto irreversível? Estamos vivendo um momento decisivo para o futuro do nosso planeta, e isso exige mudanças extremas e radicais em nosso estilo de vida. Quando a razão não nos oferece solução, nós nos voltamos à magia. Em tempos tão difíceis, acreditar no poder da magia parece ser a única alternativa possível para vivenciarmos as transformações necessárias e mudarmos o nosso futuro. E acredite: ela é real.
A Arte dos Sábios tem sido um caminho genuíno de cura para a alma de muitas pessoas. A Deusa banida para o mundo do esquecimento entoou sua divina canção, que ecoou ao longo do tempo e fez com que seus filhos e suas filhas se lembrassem dela. Mais uma vez, acendemos o Fogo Sagrado, queimamos oferendas de incenso e cantamos seus nomes antigos, invocando-a em rituais de Bruxaria sob a luz da Lua cheia.
A magia despertou nossos olhos e, para além dos cálculos e dos teoremas que explicam o mundo, passamos a vê-lo também habitado pelos Espíritos dos Elementos mais uma vez. A natureza se tornou viva, lembramos dos nossos sonhos esquecidos e, ao bebermos do Cálice da Vida, nossa alma se fez inteira. Uma nova geração de Sacerdotisas e de Sacerdotes que escutam as vozes da Terra está despertando. A Canção da Deusa ecoa, e muitos de seus filhos e filhas despertam de um sono profundo. Se você está com este livro nas mãos, é muito provável que também tenha ouvido esse chamado. Venha dançar conosco a antiga canção dos bosques sagrados e deixe que o poder da magia desperte o seu espírito selvagem mais uma vez.

 

 

 

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