Diet, light e zero – Qual é a diferença?

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A falsa ideia de que as versões diet, light e zero vieram para revolucionar o cotidiano das dietas alimentares fez lotar as prateleiras de supermercados com produtos que prometem sabor e poucas calorias. A ilusão de comer sem culpa provoca a produção constante de versões reformuladas de chocolates, biscoitos, refrigerantes, iogurtes, margarinas, entre tantos outros produtos que antigamente passavam longe da alimentação diária daquele que se preocupava com a saúde.

A seguir, esclarecemos algumas dúvidas sobre a diferença entre produtos diet, light e zero, que até agora somente aumentaram seu orçamento, mas que, de fato, não contribuíram em nada com seu bem-estar.

O alimento diet é feito para você, consumidor, que apresenta ­determinados problemas de saúde, tais como diabetes e doenças celíacas, que impossibilitam o indivíduo de consumir normal e irrestritamente os alimentos. Para tanto, são desenvolvidos alimentos especialmente para este fim, que passam por reformulações nas quais os nutrientes ou ingredientes (que não podem ser consumidos) são substituídos por ­outros. Deste modo, o diabético, por exemplo, poderá comer seu chocolate, pois todo o açúcar do produto foi substituído por um adoçante artificial. Por sua vez, o celíaco também poderá saborear biscoitinhos desenvolvidos sem a farinha de trigo rica em glúten, mas com farinha de arroz.

Não se engane: alimentos diet não têm qualquer relação com a estética ou dieta de emagrecimento. Muito pelo contrário, inúmeras pessoas caem na crença de que o chocolate diet não engorda, comem em demasia e sequer observam que, em certas ocasiões, a versão tem muito mais calorias do que a tradicional. Dessa forma, fique atento. Muitas vezes a exclusão de uma determinada substância pode ocasionar a adição de outras, citando como exemplo um chocolate diet que perdeu açúcar, porém, ganhou muito mais gordura.

A falsa ideia de que o light emagrece cada vez mais aumenta a procura por produtos desta versão e, consequentemente, gera inúmeras opções saborosas.

Confundindo o consumidor

A inquietação com o teor de gordura trans talvez tenha sido a de maior repercussão até o momento. Mas não pense que a preocupação foi com a nossa saúde. Apesar da associação dos crescentes casos de obesidade e doenças cardiovasculares ao consumo regular de alimentos que são fontes da referida gordura, como cremes vegetais, margarinas, pães, biscoitos, batatas fritas, massas, sorvetes, pastéis, snacks e praticamente toda a gama de produtos comercializados em fast-foods, a venda destes vilões da saúde foi extremamente alavancada.

A recomendação nutricional é clara: gordura trans é prejudicial à saúde e sua ingestão deve ser a menor possível. Porém, o seu consumo passa a ser despercebido quando é omitido o teor real de ácido graxo nos rótulos. Assim, as gorduras trans são mascaradas por meio de substâncias saudáveis como o ômega 3, os fitoesteróis e os antioxidantes.  Veja o caso da margarina, por exemplo, que depois de banida das dietas recebeu doses mínimas de fitoesteróis e saiu à frente nas vendas, garantindo saúde cardiovascular.

Vale mencionar que por mais que a gordura saturada possa atuar em substituição à “irmã trans” na melhora da consistência, do sabor, da textura e do prazo de validade, ela traz consigo os já conhecidos e mencionados riscos à saúde. Em contrapartida, a sua comercialização é muito mais lucrativa para uma sociedade capitalista.

Inúmeros são os exemplos de falta de esclarecimento sobre o consumo de alimentos light em dietas de emagrecimento ou manutenção do peso. O emagrecimento somente se dá quando nosso gasto energético (atividades físicas e cotidianas) é maior do que nosso ganho energético (calorias advindas da alimentação).

O consumidor se perde no “comer sem culpa”, exagera nas doses, gasta mais do que deve e, no final das contas, onde estão os resultados?

Onde está o incentivo ao consumo de alimentos naturais como frutas, verduras, legumes, carnes frescas, cereais integrais que não lesam o organismo e contribuem com aporte adequado de nutrientes importantes à saúde?

O organismo sofre com a metabolização de tantos ingredientes industrializados como os adoçantes, aromatizantes e corantes. E, ótimo, conseguimos o que tanto procurávamos: o prazer de nos refrescarmos com sabor e zero caloria. Mas não se esqueça: o zero relaciona-se também ao aporte de vitaminas, sais minerais, fibras e hidratação de fato. Além disso, matar a sede com refrigerante zero é um prato cheio para a desidratação, pois adoçantes artificiais como a sacarina sódica, por exemplo, nada mais são do que sal. Já viu alguém matar a sede com salmoura?

Pois bem, as ofertas de grandes quantidades de açúcares e gorduras, em especial a trans e saturada, disfarçados pelo enriquecimento com vitaminas e minerais, vendem produtos. Assim como os fitoesterois da margarina vendem muito mais do que os vegetais, frutos secos e grãos. Mas e a saúde, onde fica? Onde está a educação alimentar? A prevenção de doenças fundamentada nos princípios da alimentação saudável? Onde estão de fato os nutrientes importantes? O crescimento e desenvolvimento saudável das crianças? Atribuir benefícios a alimentos tão processados requer cautela, pois o consumo exagerado de tais produtos pode acabar com a ilusão de bem-estar. Cabe a nós, consumidores, termos o conhecimento refletido em nossas escolhas alimentares. Afinal, optar pela saúde é escolher pela extensão e qualidade de vida.

A diferença entre diet, light e zero

Diet

Alimentos diet são especialmente formulados para grupos da população que apresentam condições fisiológicas específicas, portanto, restrições alimentares a determinados componentes. Deste modo, as modificações no conteúdo de nutrientes, a fim de adequá-los a dietas dos indivíduos que pertencem a esses grupos da população, resultam em quantidades insignificantes ou em sua total isenção nos alimentos.

Por ser elaborada para fins específicos, esta redução (ou exclusão) se aplica não somente ao açúcar, visando o consumidor diabético, mas também ao sal, proteínas, gorduras e outros.

Light

Esses alimentos estão mais associados ao culto ao corpo, à estética, e não às disfunções na saúde. Isto porque os alimentos light apresentam redução de, no mínimo, 25% do total de um dos seus componentes, como açúcar, gordura, sódio ou até mesmo calorias, quando ­comparados aos ­alimentos convencionais. Deste modo, apresentam menor valor ­energético, sendo principalmente indicados para dietas em que haja a necessidade de restrição de calorias.

Zero

Já os produtos denominados “zero” têm a substituição dos açúcares por produtos não calóricos, garantindo a isenção de calorias.

 

 

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