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Introdução ao Feng Shui dos Novos Tempos

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O livro Feng Shui Clássico nos Novos Tempos pode ser desafiador para aqueles que buscam apenas as famosas dicas rápidas a fim de aplicá-las imediatamente como solução para os problemas. Aliás, não é nada fácil. Não por querer ser difícil, mas por tentar dar ênfase aos porquês em vez dos por causa, de procurar ir um pouco mais à fundo em algum princípio metafísico ou mesmo questionar aspectos que geralmente são assumidos e incorporados como regras ou verdades absolutas pelo senso comum.

Cabem aqui alguns esclarecimentos iniciais, premissas básicas da proposta de trabalho da obra.

Primeiramente, uma modificação estrutural na maneira de olhar o Feng Shui Tradicional, de um Sistema de Força para um Sistema de Ideias. Como Sistema de Força, entende-se qualquer dinâmica que tenha como pressuposto algo que se fundamenta numa crença, dogma ou sabedoria que ofereça uma condição de melhora prática, tendo em vista uma filiação a uma verdade específica, com o estabelecimento de regras de atuação e procedimentos que reforcem a condição teológica ou teogônica.

O Sistema de Ideias, por outro lado, fomenta reflexões, proporciona questionamentos e choques, não tendo a função de fundar ideações, ou seja, chegar a algum lugar ideal, ou estabelecer garantias de felicidade por convenção moral ou transcendência. Estabelecer uma proposta assim no Feng Shui é, por conseguinte, abrir mão, em parte, da busca por resultados fáceis (talvez por elas nunca terem existido de fato ou porque muita coisa mudou de alguns anos para cá) por uma visão mais reflexiva, autocrítica, que demanda mais tempo de abordagem e estudo, mas em que as mudanças serão provavelmente mais profundas, por estarem focadas no homem como potencial de transformação, não como algo externo “que ajeita os dissabores” e resolve uma questão que era função do primeiro responder.

O Feng Shui (até mesmo o Clássico, Tradicional ou Científico, como muitos gostam de reforçar), é baseado numa visão transcendental, mesmo existindo um apelo técnico. Como transcendência entende-se efeitos ou mudanças baseadas no vínculo a uma força maior, seja um deus, um orixá ou uma energia cósmica. Nesse aspecto, percebe-se a noção de lealdade a uma fonte ou crença, em que o cumprimento de regras, por vezes, via submissão ou resignação, garante um retorno, que consiste em proteção, abertura de caminhos, etc. Note que se define um relacionamento sempre “de cima para baixo” (seja pela sublimação, na qual se almeja pular algumas etapas, ou pela própria transcendência, que significaria eliminar “todas” elas), em que tal força externa, melhor e mais completa, extingue os problemas momentâneos, limpa os processos em crise e afaga as nossas carências, digna de um bom pai ou mãe, não havendo assim nenhuma necessidade de realizar quaisquer questionamentos ou mudanças internas, além do reforço da crença no filiador. Se esse argumento parece ser muito exagerado para a dinâmica do Feng Shui, troque os termos “vontade divina” por personalidades das estrelas, e “fé na palavra do senhor” por curas com 5 elementos, que talvez isso faça algum sentido.

Imanência, em contraponto à Transcendência, é uma visão baseada no presente, na qual se vive as experimentações da vida pela própria vida em si (e não algo além dela), o que desvincula do cotidiano a noção de ideal e de evolução espiritual como fundamento moral, e mais ainda, do resultado benéfico ou prazeroso como conclusão linear a algo que se está fazendo certo ou até por merecimento. Assim, Imanência é fazer algo diferente no presente, assumindo como fundamento a incerteza e abarcando o devir.

Mesmo que haja limites para essa abordagem no Feng Shui (já que toda a sistemática é baseada no oposto), incentiva-se o olhar imanente, no sentido da construção como espelho dos processos pessoais, não como fator externo definidor das nossas experiências. Assim, os eventos averiguados (bons ou desafiadores) seriam apenas aspectos intrínsecos ao próprio homem, destacados por uma técnica em particular, sendo que a melhora não se baseia somente na modificação ambiental ou inserção de objetos harmonizadores, mas na reflexão que tais mudanças, possíveis ou não, estimulam nos moradores. Caberia ainda a esse indivíduo entender o sentido de responsabilidade embutida nas possibilidades de escolha oferecidas pelo “índice” casa, independentemente dos resultados almejados, já que muitas vivências se aceleram pela necessidade consciencial dos usuários, como potencial kármico. Em outras palavras, as experimentações produzidas (mesmo que ocorram intervenções requalificantes), talvez não devessem ser abordadas para se tornarem apenas mais fáceis, amigáveis ou reconfortantes, mas sim para serem importantes e relevantes.

Tentaremos demonstrar a possibilidade de uma abordagem espiritual-imanente do Feng Shui, na qual se procura não negar o presente e os seus fatores coligados (no caso, a própria ­edificação) em busca de um ideal em estado de simulacro, mas uma reafirmação da vida pela capacidade de transformação do próprio indivíduo como fator primordial coparticipante das causas e efeitos das probabilidades ambientais, e não como uma vítima sofredora (mas honesta) das pressões e cobranças “celestiais”.

O título Feng Shui Tradicional nos Novos Tempos pode fomentar uma série de questionamentos. Seria um Feng Shui à moda esotérica (já não existe o Feng Shui Moderno para isso?), abarcando um misticismo new age do “emanar amor para receber amor” ou algo parecido? Na verdade, como Novos Tempos entenda-se Nova Realidade. E como realidade entenda-se algo além de uma condição econômica, ecológica ou tecnológica do mundo. Novos Tempos (ou Nova Realidade) levanta a hipótese de uma profunda alteração da condição física do planeta, bem como dos seus agregados, incluindo toda a espécie humana, nas últimas décadas, mas sobretudo como marco referencial, a partir de 2012.

Essa mudança estrutural se refere à maneira diferente como a matéria vem se estabilizando enquanto relação onda-partícula, sendo que essa modificação global vem influenciando muito na interação espírito-corpo (por conseguinte, na vida em si), bem como na forma com que algumas técnicas, incluindo o Feng Shui, se expressam enquanto canal de atuação e eficiência. Sim, a eficácia de muitos desses métodos energético-terapêuticos e das harmonizações ambientais vem caindo (vertiginosamente, diria), e em momentos em que existem cada vez mais pessoas buscando tais tratamentos ou consultorias. Sem dúvida, se alguns desses sinais são quase indiscutíveis, é possível ainda, por um tempo, não se ater a isso, seja pelo vigor do dogma ou por “deixar o barco correr”, já que os clientes continuam vindo (e isso seria a prova irredutível de que as coisas estão bem). Entretanto, parece-me que será possível averiguar, de forma crescente, que se gasta cada vez mais energia (espiritual, emocional ou física) para se realizar cada vez menos, como também se manter equilibrado num padrão adequado por tempo muito aquém do esperado, ou seja, um problema que atinge não somente os consulentes, mas, sobretudo, os consultores, que se sentirão cada vez menos seguros das teorias aprendidas e vendidas como solução, o que levará muitos a uma desistência geral, a buscas ou trocas incessantes de terapias e metodologias inusitadas que garantam os supostos milagres da vez, o que trará cada vez mais frustrações ou alienações.

 

 

 

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